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Tecnologia: veja o que não vai acontecer em 2009

Santa Catarina - Blumenau - 28/12/2008

 

Para quem acompanha o mercado, não é tão difícil fazer algumas apostas sobre as tecnologias que dominarão 2009. Basta ficar de olho no que as empresas estão investindo, no comportamento dos usuários e mesmo nas resoluções governamentais. E também não deve ser difícil prever o que vai encalhar (sim, porque a indústria também investe em muitos projetos que dispendem um monte de dinheiro e acabam morrendo na praia) ou, pelo menos, aquilo que ainda não vai estourar. Na contramão de seus colegas, o instituto de análises ABI Research fez exatamente uma lista do que deve micar no ano que vem. É lógico que a lista está focada nas principais apostas das próprias empresas do setor - já que, com a recessão mundial, muita coisa realmente deve NÃO acontecer em 2009.

Algumas coisas são meio óbvias, como o mobile marketing ou a substituição da TV tradicional pelo IPTV. No caso da publicidade via celular, as agências ainda não abraçaram a nova mídia. Elas reclamam da falta de métricas consistentes para a medição dos resultados. Além disso, em época de crise financeira, a área de advertising sempre acaba sofrendo um pouquinho mais com o corte geral de investimentos.

No entanto, a Internet via celular deve ser cada vez mais adotada pelos usuários, e sua chegada às massas finalmente trará números com os quais os anunciantes poderão lidar. Já a TV sobre IP, apesar de seu crescimento substancial frente ao mercado de TV paga, não deve substituir os canais abertos. A adoção da tecnologia é um mistério ainda em muitos países. No Reino Unido, por exemplo, é um fracasso. Já em Hong Kong existem mais de 160 canais disponíveis para os assinantes.

Os Estados Unidos e a França também têm suas histórias de sucesso, com mais de um milhão de assinantes cada. A complexidade, aqui, está no fato de os provedores terem de assumir o controle sobre as variantes financeiras e tecnológicas relacionadas ao conteúdo, incluindo direitos autorais, segurança, maturidade do mercado, arquitetura da plataforma, middleware e faixa de preço. E também tem a questão da banda para a transmissão dos programas, que é limitada, principalmente na última milha. Enquanto a fibra óptica não chegar aos lares, o papel do IPTV será mais o de coadjuvante, mesmo.

Outras não-apostas da ABI para 2009:

- As operadoras não desenvolverão sistemas de pagamento via celular. Esse tipo de investimento continuará na mão dos bancos e cartões de crédito;

- Não haverá nenhum grande lançamento em celulares NFC (Near Field Communication, uma espécie de "novo Bluetooth" que permite a troca de informações em curtas distâncias e possibilitará o desenvolvimento de uma série de aplicativos, em especial relacionados a meios de pagamento sem contato). Porém, veremos testes e alguns lançamentos isolados ao redor do mundo, ou mesmo o uso da nova tecnologia em outros gadgets;

- A recessão mundial não vai deter os investimentos em RFID;

- Os sistemas de transporte inteligente não ganharão escala (apesar de os analistas acreditaram que investir em telemática é exatamente o que as empresas do setor deveriam fazer nesse momento de crise, a fim de saírem na frente da concorrência);

- A indústria de serviços baseados em localização (LBS, na sigla em inglês) não terá uma trégua. Com crise ou sem crise, um monte de empresas inovadoras continuará criando serviços e soluções como sistemas de navegação para pedestres, tráfego preditivo, mapeamento, pesquisa nos arredores, geo-tagging, redes sociais para vizinhanças e mesmo nos chipsets para GPS;

- O mercado de celulares não crescerá e deve mesmo reduzir entre 3% e 5%. Só se for lá fora; aqui no Brasil, ainda há espaço e as operadoras não estão medindo esforços para dominar todas as cidadezinhas desse Brasilzão;

- A banda ultra-larga (ou UWB, Ultra Wide Band) não chegará aos celulares;

- Não haverá uma explosão no uso do WiMax na região da Ásia-Pacífico. Não por causa da infra-estrutura, que já está bastante completa, mas porque os gadgets para acessar essa rede ainda são muito caros - taí a crise, mais uma vez, para atrapalhar. Por aqui, a Brasil Telecom prometeu iniciar sua operação comercial no início de 2009. De novo, onde estão os equipamentos? Vai demorar para o WiMax se tornar uma realidade para o usuário final;

- O Windows Mobile não se tornará open source (e alguém esperava diferente?).

Acho que ainda podemos falar da TV digital aqui no Brasil, né? Não pegou no ano passado, não pegou esse ano e não deve pegar no ano que vem. Não tem interatividade, os canais vivem fora do ar ou com a imagem quebrada, o set top box ainda não chegou a um preço atraente e - vamos combinar? - o povo parece ainda muito mais interessado em aproveitar as megaofertas de TVs de plasma da geração passada do que em ver a novela das 21h em alta definição.


 

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